Frases Ditas pelo CQCs

"É melhor comer uma goibada junto, do que um prato de merda sozinho."

Marco Luque

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Marcelo Tas e o The New York Times



Existe uma palavra-chave para entender o milagre, se é que ele existe, do Brasil estar entrando no ultracompetitivo clube que movimenta a economia global: "gambiarra". Aqui, o termo ainda tem um certo sentido pejorativo, mas se tornou tão cotidiano e popular na cultura brasileira como o futebol. "Fazer uma gambiarra" significa resolver de forma improvisada, quando não ilícita, uma questão tecnológica.


Uma das primeiras e mais famosas gambiarras brasileiras -espalhadas como um vírus pela nação- foi a técnica de pendurar um produto de limpeza, a palha de aço, na ponta das antenas dos antigos aparelhos de TV para melhorar a recepção da imagem.

É importante apontar a característica que diferencia a gambiarra brasileira de outras manifestações "gambiárricas" pelo mundo, como o Maker Movement nos EUA ou a tendência "faça-você-mesmo". A gambiarra brasileira é filha única da necessidade com a absoluta falta de recursos.

No dicionário Houaiss, gambiarra significa extensão elétrica com uma lâmpada na extremidade utilizada para trabalhar em ambientes escuros. No mesmo verbete, registra-se ainda o significado informal da palavra: extenção puxada fraudulentamente para furtar energia elétrica, também conhecida como "gato". Com a revolução digital, a travessura ampliou-se para outros modelos de negócio, como a distribuição ilegal de TV a cabo e internet banda larga nas periferias das grandes cidades. Longe de elogiar a ilegalidade, penso que é hora de o Brasil e seus parceiros comerciais acordarem para o talento do brasileiro para o improviso alavancado pela vontade de ser alguém na vida.

Garrincha, o mais popular jogador de futebol brasileiro depois de Pelé, é um exemplo clássico dessa virtude. O "Anjo de Pernas Tortas", como ficou conhecido, nasceu de pai alcoólatra e com várias disfunções físicas. Tinha a perna direita curvada para dentro e a perna esquerda, seis centímetros mais curta, curvada para fora.


Íntegra na Folha de São Paulo (só para assinantes da Folha ou do UOL).

Marcelo Tas, agora, uma vez ao mês, escreve na coluna "Intelligence", no jornal The New York Times.

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