"Sawona!
Sizwe é o nosso motorista aqui em Johanesburgo, já havia falado dele no primeiro post. Sizwe é um negro meio baxinho, gordinho no estilo barril, e foi simpático desde o início. Logo na chegada explicou que seu nome significa nação. É bacana os significados que os nomes tem por aqui. Sizwe dirige muito calmamente, assim como fala manso também. No primeiro dia conversamos um pouco, como de costume comecei a perguntar como falar algumas palavras básicas em Zulu, a língua mais falada entre os dialetos daqui.
Hoje, depois da matéria do dia, entramos num papo e ele nos contou que era jogador de futebol, dos bons, promissores, meia atacante dos bons, jogava no Orlando Pirates. Quando tinha 20, em 95, tomou uma entrada violenta durante um jogo e nunca mais pôde jogar o esporte favorito. Ficou com uma perna menor do que a outra. Dirigindo nosso carro, contou que nem gosta muito de assistir as partidas hoje em dia. Sizwe mora com a mãe, tem 2 irmãos, uma moça e um menino, mora em Soweto, uma pequena cidade, predominantemente negra, nos arredores de Johanesburgo, não um bairro como dizem por aí.
Conversamos sobre o Apartheid, e ele recordou que à epóca, os brancos matavam os jovens negros. Soweto foi um dos pontos de resistência durante o apartheid ( quem não sabe o que é apartheid vai pesquisar, não é o tema da históra ), e durante certo período, Sizwe foi estudar na Suazilândia, mas após um ano, mesmo com todos os problemas da época, ele quis retornar, para ficar perto da família. Hoje todos conhecem Sizwe em " sua área ", perguntei à ele se gostaria de ser político, mas disse que não, não quer se desiludir com isso.
Perguntei se ele já havia conhecido Mandela, ele disse que sim, uma vez, apertou a mão dele e tudo mais. Contou que seu tio lutava boxe com Mandela, que era amigo do tio dele. Achei muito incrível. Quando perguntei da relação de hoje em dia entre brancos e negros ele me disse que é boa, muito boa, que a vida é boa, muito boa na África do Sul. Ele falava assim mesmo, repetindo a frase vezes e vezes, como que pensando no que falava, como se revivesse os momentos. Sizwe fau que o povo de Soweto é feliz e que ele nunca, nunca ia sairia de lá. E que hoje a Africa do Sul é um bom país de se viver. Eu acreditei em Sizwe. Acho que agora entendo porque seu nome significa nação.
Até amanhã, ou depois de amanhã,
Felipe"
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Diario de Bordo dia 2 - Sizwe
Marcadores:
África do Sul,
Copa do Mundo,
CQC,
Diário de Bordo,
Felipe Andreoli,
Repórter
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário